Neste mundo, onde há luz, também há sombras. Enquanto existir o conceito de vencedores, também existe o de perdedores. O desejo egoísta de proteger a paz causa guerras e o ódio nasce para proteger o amor.
Que vontade de chorar, meu Deus! Expulsar este acumulo de coisas que saio pegando das pessoas e colocando em mim. Vontade de dormir três anos seguidos e acordar com meus amigos melhores, meus pais mais compreensivos, minha irmã menos agressiva, as pessoas menos preconceituosas, as músicas mais leves, a poesia mais atendida. Um mundo só meu. Com minhas personagens, meus sorrisos, meus abrigos. Pois tudo se mistura a isso e no fim eu acabo me perdendo e caio no choro, como agora. E eu choro porque fui forte até aqui, pode soar comum e banal, mas é a verdade. Eu choro porque eu estou quase caindo com o peso que carrego, eu choro porque sou sensível demais e não ter atenção me deixa mal, muito mal. Besteira? Verdade, tudo isso é besteira. Eu devo ser uma besteira, minhas coisas também; contudo, hoje, apenas hoje, eu queria alguém aqui - do meu lado - pra me ver chorar oceanos e pra dizer: “calma, tudo vai ficar bem”.
Só me fala que vai me aturar. Aturar todas as minhas crises de ciúmes, meus momentos - não tão raros - sem paciência, as minhas desconfianças e meus surtos de insegurança. Aturar meus dramas, minhas teimosias, minha arrogância, minhas piadas sem graça e o meu não-romantismo. Aturar todos os meus tipos de provocação, meu amor por outras pessoas, minhas mudanças inconstantes de humor e de temperamento. Aturar minha mente confusa, minha memória irritante, minha sinceridade exagerada. Aturar quando eu falar que te amo mais e também quando eu não falar que te amo. Aturar e segurar tudo não por mim, nem por você… Mas por nós.
Eu me odeio. Odeio ser feia. Odeio meu corpo. Odeio meu rosto. Odeio meu cabelo, meu nariz, meu queixo, minha boca, meus olhos, minha testa. Odeio as roupas que eu uso, e o meu estilo. Odeio o jeito que eu falo, e o jeito que eu ando. Odeio minha mão, meus dedos, minhas unhas. Odeio ter que usar aparelho, e odeio muito mais ter que usar oculos. Odeio minhas espinhas e meus cravos. Odeio minha personalidade. Odeio como eu penso e odeio ainda mais como eu ajo. Odeio minha timidez, que por causa dela eu deixei de fazer varias coisas que me deixou mal depois. Odeio ser ciumenta ao extremo. Odeio me apaixonar, odeio me iludir e odeio me fuder. Odeio ter que me cortar pra me sentir melhor. Odeio sofrer, e odeio ter motivos pra mim não me matar. Odeio minha capacidade de ver o lado bom de tudo. Odeio sorrir mesmo chorando por dentro. Odeio ter que me mostrar forte, sendo eu tão sensivel.
Eu não amo nada em mim.. é tudo completamente imperfeito. Mais já você..
Eu amo você. Amo o seu cabelo. Amo o seu rosto. Amo as roupas que você veste. Amo o jeito que você fala e quando me deixa alegre. Amo o jeito que você anda e amo o jeito que joga bola. Amo quando vem falar comigo. Amo o jeito que me chama de fofa, linda e perfeita. Amo quando você diz que me ama. E quando você me deixa ou ate fica sem jeito, eu amo. Amo o seu sorriso, e queria ser o motivo dele. Eu amo quando se preocupa, e fala que sou importante. Amo quando você ri das minhas palhaçadas, e das coisas bobas que falo. Amo quando você passa a mão no cabelo, e quando você me olha. Amo sua risada. Eu te amo por inteiro.
Eu odeio suas amigas, e quando fala com elas. Odeio quando olha pra outra menina. Odeio quando não te vejo, e quando não falo contigo. Odeio você por ser tão perfeito. E odeio ainda mais, por não consiguir te odiar.
É doce tua voz em meio aos meus pensamentos. Aquieta meu coração agitado, acalma meu nervos ao ponto de explodirem, deixa-me leve e ajuda-me a controlar toda essa angústia que insiste em querer ser liberada, louca para deixar de ser algo interno e transformar-se em palavras e gestos. Palavras não ditas insistem em sair de qualquer modo, e quando menos espero, elas transbordam pelos meus olhos.
Tenho lá minhas melancolias, minhas músicas bregas, meus choros inexplicáveis, meu humor que anda de gangorra, meus momentos de surto e solidão. Porque sou humana. E isso explica tudo.